( O texto que se segue, bem como o respectivo vídeo, resultam de ter o privilégio de me encontrar entre um grupo de amigos que gostam de ir trocando e partilhando alguma convivência muito salutar entre si, ora em pessoa quando tal é possível, ora virtualmente via e-mails e restantes redes sociais; convivência esta daquele tipo que, mesmo em poucos meses de tempo, já fez muitas e muitas boas, agradáveis, críticas e divertidas histórias...Uma destas pessoas, enviou ao grupo o vídeo que se segue. E eu, respondi, dizendo o que tinha a dizer: quando iniciei este blogue, disse qq coisa como que "era um espaço de reflexão para o que se fosse cruzando no meu caminho"; isto, foi o puro exemplo de algo que se cruzou directamente no meu caminho. Há obviamente um cunho pessoal e mesmo cheiro a "pensar alto" privando num grupo de amigos, na minha resposta...ainda assim, achei que fazia todo o sentido partilhar publicamente aqui a resposta que lhes enviei: sobretudo pelo vídeo mais que pelas minhas palavras, é também uma pequena homenagem que aqui lhes presto: mensagem directa com o significado mais ou menos óbvio de tentarmos entre nós e para com os outros não repetir no futuro os erros que observámos no passado e a ninguém com um mínimo de sentido de justiça conseguirá ficar indiferente a, pelo menos agora aqui...Tudo o resto, vou deixar ao meu leitor que pense e conclua por si próprio, e sobretudo que não fique indiferente à mensagem aqui passada. )
"Sem palavras..."
Disseste tu, M. E disseste-o bem...
Mas eu, eu vejo-me forçado a ter de ter algumas palavras, pela simples razão que acho que deixar passar um autêntico monumento destes com valores que o mesmo encerra...para a minha consciência, fosse qual fosse a razão, seria algo de mais ou menos quase criminoso...mesmo que não vá acrescentar nada de mais com o que disser (como é extremamente provável: o que se pode acrescentar depois de algo tão brutalmente genial e mais que real que toca a bom tocar, como este mini-filme?!?),,,
Na verdade, recordo-me de já me ter cruzado com este puro grito silencioso no passado (que por qualquer razão como ainda não ter um espaço ideal, acabei por não eternizar, erro que não cometerei desta vez); mas há coisas que é sempre bom recordar/questionar periodicamente...especialmente se as pudermos fazer em público e/ou em grupo, de preferência. Mas esquecendo-me, e tentando-me tornar o mais insuspeito possível de me ser particularmente caro o conceito...quem é que já não viu isto acontecer à sua volta?!?! Sob que forma fosse...
Não vou cair no estereótipo ou dúvida aqui inútil para o caso de "será que o pai foi um bom pai?" (subentende-se que sim: o filho no fim abraça-o sem hesitar muito, já para não falar do conteúdo do diário, que tb tal indica); este pai, terá portanto sido um muito bom pai, fazendo bem mais do que o que lhe competia, e mesmo que o razoável segundo um julgamento que não subscrevo mas tenho até de aceitar...
Mas novamente sem generalizar, e seguindo o rumo que devo sem implicar o "possível concreto mesquinho" (e apenas podendo ser posto como hipótese por mentes sectárias e como tal) de "os pais são claramente sempre pais e os filhos nem por isso" (há casos bem contrários, e estatisticamente falando, os pais tem uma tarefa mais complicada: "serem pais de se calhar mais, enquanto que os filhos só costumam ter uns pais!")...claramente, este filho que estando com o pai como se estivesse ao lado de um estranho numa qq paragem de autocarro num qq dia cinzento e indiferente, a ler também indiferentemente o jornal...é que com certeza não estava a ser muito bom filho, bem antes sequer de ter gritado com ele: a profunda indiferença já lá estava bem antes!)
E de novo relembro que "filho" e "pai" são apenas uma instância possível para o terrível problema aqui em causa; pois sempre curioso mas já infelizmente mais que revisitado paradoxo, esta pequena obra-prima mostra primeiro, do pior que nós seres humanos somos capazes: a injustiça, o total desequilíbrio e falta de proporcionalidade nos nossos actos e a profunda indiferença para com quem, por oposto, sempre esteve lá quando nós precisávamos: uma chocante ingratidão, para o reduzir a uma só expressão...ingratidão para com o que nos rodeia, ingratidão para com quem nos rodeia...
E o melhor do que somos capazes...na minha convicta opinião, não é sequer a lição ou o final da história que se nos apresenta (pudera, era melhor que o final fosse diferente): o melhor de que somos capazes, que foram capazes...é o conseguir existir alguém, com liberdade, espírito crítico e causticidade suficientes (já não referindo génio puro e sensibilidade tocante)...para nos limites de comoção, saudavelmente lembrar a uns e envergonhar a outros uma realidade que chacina por completo a leviandade e a falta de coerência de muitos de nós actores nesta peça do nosso tempo, que é a nossa vida.
Saúdo portanto particularmente este filme até ao momento em que o filho acaba de ler o diário...e a partir daqui, saúdo directamente quem trouxe este mini-filme à vida: o fim pode ser "a única maneira como a história deveria acabar", mas infelizmente, no mundo real uma história com tal início nunca acabaria assim.
O abandono a que uns são destinados pelos outros, sobretudo por quem lhes deveria mais gratidão (e escolham a triste realidade que mais vos choque profundamente: seja o abandono de velhos, crianças, )...parece ser uma triste praga social dos nossos dias e das nossas sociedades, que qualquer olho mesmo não especializado mas minimamente atento, formam demasiados seres humanos totalmente insípidos e desprovidos de qualquer tipo de valores ou méritos: daqueles que têm de vir puramente de dentro, e não mascarando abismos ainda maiores de fora (sim, porque pior que ingratidão, pode ainda ser a falsa e podre caridade).
Termino, dizendo que não sendo de todo nem de perto nem de longe envergonhado pelo conteúdo deste vídeo (antes me sinto orgulhoso por no meu percurso de vida, ter aqui a minha consciência mais do que tranquila quando confrontado com sempre tão tocante conteúdo...tranquila aliás o suficiente para lhe juntar alguma acidez pessoal, a quem tiver razões para se sentir envergonhado no fim do mesmo...cruzei-me com alguns seres assim! )...presto homenagem ao mesmo aqui e assim, promovendo-o com tais palavras e ficando activamente à espera de um mundo melhor.
Mais (ou menos) humano.